Diego Hypolito (é assim que se escreve?) e Cesar Cielo choraram nas Olimpíadas. Mesmo que eu não quisesse saber nada dessa competição, não seria possível. Vivemos todos ao redor desse tema ultimamente. Ao mesmo tempo em que torço, tenho a certeza de que não temos nenhuma chance. É mais uma dessas coisas estranhas que nós brasileiros fazemos, fingir que não está acontecendo. Fingimos que estamos preparados para competir com países que têm políticas de formação de atletas, problemas sociais em pequena escala, desigualdade social muito pequena, competição em nível de escolas e universidades formando atletas e despontando talentos desde cedo. Fingimos que um atleta que saiu de uma favela, que teve educação inadequada, que não teve alimentação equilibrada nos primeiros dez anos de vida, que teve ou tem uma estrutura familiar inconsistente pode competir em condições de igualdade. Estamos acostumados com o futebol, onde o talento individual supera qualquer barreira, onde qualquer fundo de quintal é uma quadra, mas nos esportes olímpicos clássicos é preciso muito mais. Por isso acho que o choro de Cielo e de Diego eram o mesmo. Diego chorou a chance perdida, o tempo perdido, as condições inadequadas, a insuficiência de patrocínio, o descaso dos gabinetes, o desamparo psicológico. Cielo chorou o afastamento da família para ter uma chance, abandonou tudo e todos, foi morar longe com gente diferente, comida diferente, vida diferente. No fundo, os dois choravam o mesmo, o desamparo do país onde nasceram. Na minha opinião, medalhistas ou não, nossos atletas valem ouro. Conseguir sobreviver de esporte em um país onde falta tanta coisa é mesmo de orgulhar qualquer um.